Sé de Braga

Arquitetura românica

Braga, cidade mais antiga de Portugal, cuja existência já é atestada cerca de 134 anos A. C., era conhecida sob o Império Romano como Bracara augusta, capital da Galécia, "sendo então uma das cidades mais importantes da Luzitânia, e sede escolhida pelos romanos para uma chancelaria ou convento jurídico, tendo todos os privilégios e honras das antigas cidades do Lácio" (José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco, p. 10).

Guia de Braga
Sé de Braga © / CC


Braga, como descreve José Augusto Vieira no seu famoso livro O Minho Pitoresco (1886-1887):

"Rica de tradições e de monumentos, bíblia de pedra, em cujas folhas truncadas a mão do tempo não apagou os primores de uma ou outra iluminura, a velha cidade primaz das Hespanhas, a Braga fiel e augusta, transformada hoje da sua fisionamia secular, faz lembrar uma freira, que, aborrecida das melancolias da cela, fosse vestir na Aline uma toilette mundana".

Cividade

Ainda segundo Vieira, "Rezam antigos escritores, que a Braga dos romanos estava situada no lugar ainda ao presente chamado Cividade, correspondendo ao sítio da igreja de São Tiago. Os muros, que circuitavam a cidade, principiavam junto à atual igreja de São Pedro de Maximinos, e daí, na direção sul, iam até a Cividade".

Guia de Braga
Interior da Sé de Braga © Manuel V Botelho / CC


Templo de Ísis

"Pela Sé vamos principiar essa piedosa e histórica romaria, pois justo é que primeiro tributemos a nossa homenagem ao templo vetusto e venerando, que segundo a tradição, já foi dedicado a Ísis, a casta deusa fecunda, a quem se consagrava o pessegueiro", continua Vieira quando diz que a Sé de Braga fora templo romano. E continua: " Fosse ou não dedicado à deusa, é incontroverso que a Sé, monumento, existia já no tempo dos romanos, constando de documentos autênticos que o conde D. Henrique e sua mulher reedificaram pelos anos de 1100".

Sé de Braga

Sobre a Sé de Braga, Vieira a descreve nestes termos: "Era a catedral bracarense uma das mais ricas sés do nosso país em vasos sagrados e alfaias. Não havia arcebispo primaz que não tivesse empregado alguma parte dos seus avultadíssimos rendimentos em objetos preciosos para o culto divino. Infelizmente foi despojada de quase todo o seu tesouro durante as invasões e guerras do princípio deste século."

Capelas da Sé de Braga

O grande número de capelas da Sé de Braga levou o autor da Chorographia Portugueza dizer que "a catedral bracarense é de tanta grandeza, que dentro dela há sete coros, em que se rezam às horas canônicas em voz alta, sem estorvarem uns aos outros".

Ilustre Sé Braga

E ainda segundo Vieira: "Honra-se esta catedral de contar entre o número de seus arcebispos vários santos, um papa, quatro príncipes, um dos quais cingiu a fronte com a coroa de rei, quatro cardeais, e muitos prelados que deram lustre a Portugal com a sua ciência, e crédito ao episcopado com as suas virtudes".